31 dezembro, 2009

Ano Novo

Quando um novo ano se avizinha, todos respiramos aliviados. É a hora de reavaliar a própria vida e de fazer planos para o próximo ano. Ocorre algo mágico na simples mudança do número, um milagre que faz "a esperança funcionar no limite da exaustão", como uma nova chance para acertar onde se errou.

Então a todos desejo
Que as coisas ruins fiquem boas.
Que as boas fiquem melhores.
E que o que faltou agora sobre.
Um feliz Ano Novo!
http://marreta.files.wordpress.com/2008/12/feliz_ano_novo2.jpg
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Hoje o blog entra de férias e só retorna em 1º de janeiro do ano que vem!

30 dezembro, 2009

Música/Vídeo do dia

Vídeoclipe da música "Her Morning Elegance", do cantor israelense Oren Lavie.
Deve ser um dos melhores stop motions que eu já vi na vida:

http://www.youtube.com/watch?v=2_HXUhShhmY

25 dezembro, 2009

Catálogo #5

Eu prometi pra mim mesmo que não iria indicar filmes de Natal. Mas eu não resisto...
Rápido e caceteiro:

http://www.wavplanet.com/bad_santa_2003.jpg # Papai Noel Às Avessas (Bad Santa, EUA, 2003), de Terry Zwigoff.
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http://mixentretenimento.files.wordpress.com/2009/06/feliz-natal-poster.jpg # Feliz Natal (Joyeux Noël, França, 2005) de Christian Carion.
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http://2.bp.blogspot.com/_GmGY9PlwGmI/STwezAqfUcI/AAAAAAAAF28/hYPtm0k7XGY/s400/a%2Bfelicidade%2Bn%C3%A3o%2Bse%2Bcompra.jpg
# A Felicidade Não Se Compra (It's a Wonderful Life, EUA, 1946), de Frank Capra.
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http://cinemacomrapadura.com.br/filmes/imgs/expresso_grande.jpg # O Expresso Polar (The Polar Express, EUA, 2004), de Robert Zemeckis.
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Assista sem medo!

Chega!

Feliz Natal

Lá vou eu mais uma vez arrastado para o Natal.

Eu detesto. Mas como o mundo inteiro abraça essa bagaça (100% das músicas na rua e 100% dos filmes na TV que o digam), eu acabo imerso, absorvido por este ambiente hostil.

O drama seria menos intenso se ao menos os símbolos da data fossem mais tropicais. Que tal o "Papai Saci" conduzindo uma carroça puxada por capivaras? O gorro ele já tem... Nem Cristo tem chance diante de todo esse colonialismo cultural consumista (só se lembra dEle nos presépios). E só o fato de que nem todas as crianças irão receber um presente faz do "Bom Velhinho" a criação mais desumana que existe!

Mas se você gosta de ouvir "Jingle Bells" tocada em harpa; de reunião de família (que, se fosse coisa boa, teria o ano todo); de ganhar pares de meia de presente no amigo oculto; e do show de Roberto Carlos na TV, então faça bom proveito! Para vocês, queridos leitores, feliz Natal e fósforo no ano novo!

20 dezembro, 2009

Exemplos de preguiça extrema

Ontem deve ter sido um dos dias mais improdutivos da minha vida. Mas nem tudo está perdido pra mim enquanto houver gente deste quilate. (É melhor você clicar no link, pois não tô com disposição pra pôr o restante das fotos aqui)


Tem 25 exemplos neste link: http://www.holytaco.com/25-extreme-examples-laziness

Como hoje ainda tô com preguiça, roubei este post da favorita Luiza Voll.

17 novembro, 2009

Arte com fita adesiva

Caso alguém ainda tenha dúvida sobre o que é arte...

O artista ucraniano, radicado nos EUA, Mark Khaisman (51 anos) usa fita adesiva sobre um painel iluminado para criar belíssimas obras de arte. Apaixonado pela Sétima Arte, ele recria cenas de seus filmes favoritos. Também faz retratos de pessoas e objetos com o mesmo material. Leva cerca de uma semana para fazer um só quadro, chegando a gastar até cem metros de fita. O preço médio de cada obra sua é US$ 10 mil.

www.khaismanstudio.com

http://www.khaismanstudio.com/images/p2i5.jpg

23 outubro, 2009

Mau Gosto #4

O anunciante pediu uma propaganda de pão que ressaltasse um "momento familiar", mas o publicitário quis inovar com um "momento demoníaco":

Eu até posso ouvir a menina dizendo:
"Eu adoro geléia feita com sangue de inocentes"

Update 28/10/2009
: Se acharam pouco o anúncio acima, eu encontrei mais duas imagens. Desta vez a propaganda é de feijão, mas os garotos-propaganda só podem ser filhos
do Demo, do Cão, do Capeta, do Coisa-Ruim, do Azougue, do Mafarro, do Canho, do Capiroto, do Tisnado, do Pé-Preto, do Gramulhão, do Temba, do Azarape, do Danador, do Arrenegado, do Peida-Enxofre... (só pra não restar dúvida).

Nem me perguntem onde eu arranjo essas coisas (eu teria que matá-los se dissesse)

16 outubro, 2009

O Zodíaco, a Astronomia e Ofiúco

Eu já olho para o céu há muitos anos, desde pequeno. Desde sempre, também, me interesso por Ciências e pelo Universo. Mas só recentemente comecei a ler sobre Astronomia e “dar nome aos bois” pr’aquilo que me habituei a ver no céu.

Numa dessas incursões, descobri algo curioso: a Astrologia se baseia na posição errada dos astros para definição dos signos do Zodíaco, pois as respectivas constelações zodiacais se posicionam, atualmente, mais atrasadas em relação aos dias estipulados.

Como assim? Calma lá. Vamos voltar a fita um pouco...

Os astros eram uma referência absolutamente necessária à vida das pessoas na Antiguidade, pois olhando para o céu se poderia contar o tempo, prever as estações, as épocas de plantar, colher etc.

Tal era a importância dos astros, que a Astrologia surgiu e associou não só os fenômenos naturais à sua influência, mas também a própria vida e personalidade humanas. Assim, para a Astrologia, a posição de todos os astros (o Sol e os Planetas) no dia do seu nascimento é determinante para suas características individuais e psicológicas.

Ao longo do ano, a posição aparente do Sol se altera em relação às constelações de fundo devido ao movimento de translação da Terra. A região da esfera celeste onde se dá essa aparente viagem é chamada de eclíptica, e tem como fundo as doze constelações zodiacais.



Dizer que você é do signo de Áries, por exemplo, significa que, no dia do seu nascimento, o Sol estava na constelação de Áries.



Como ao longo de muitos séculos nenhuma alteração ocorre nessa rotina anual, bastou-se conhecer o dia do nascimento para inferir a posição dos astros. Mas ao longo de milênios, a situação é bem diferente.

Assim, Áries é o primeiro signo porque o inicio da primavera no hemisfério norte (equinócio vernal) ocorria quando o Sol estava na constelação de Áries. Era assim desde 2150 a.C., mas depois que Cristo nasceu o ponto vernal está em Peixes e continuará por lá até o ano de 2150 d.C., quando passará a Aquário (daí a tão louvada “Era de Aquário”).

Essa alteração milenar – que tem o nome de “movimento de precessão dos equinócios” – não pôde ser percebida pelos astrólogos da Antiguidade. Com o movimento de precessão, o equinócio se desloca sucessivamente em todos os signos, num período de aproximadamente 26 mil anos.

Mas isso não é tudo. Atualmente há um intruso na eclíptica (o território celeste do Zodíaco). Seu nome é Ofiúco, o “Serpentário”. Essa constelação já era conhecida quando a Astrologia foi criada, mas há 3 mil anos estava fora da eclíptica e, portanto, o Sol não passava por ela. Hoje, com a precessão dos equinócios, encontra-se entre Escorpião e Sagitário, podendo muito bem figurar como mais um signo do Zodíaco. (O problema será definir quais são as características desse novo signo; seria uma mistura de Escorpião e Sagitário?)

A posição atualizada do sol nas constelações da eclíptica celeste é a seguinte:

- Áries de 19 de abril a 13 de maio
- Touro de 14 de maio a 19 de junho
- Gêmeos de 20 de junho a 20 de julho
- Câncer de 21 de julho a 9 de agosto
- Leão de 10 de agosto a 15 de setembro
- Virgem de 16 de setembro a 30 de outubro
- Libra de 31 de outubro a 22 de novembro
- Escorpião de 23 de novembro a 29 de novembro
- Ofiúco de 30 de novembro a 17 de dezembro
- Sagitário de 18 de dezembro a 18 de janeiro
- Capricórnio de 19 de janeiro a 15 de fevereiro
- Aquário de 16 de fevereiro a 11 de março
- Peixes de 12 de março a 18 de abril

Portanto, se você nasceu entre 30 de novembro e 17 de dezembro eu sinto muito, mas seu signo é Ofiúco (pelo menos, é onde o Sol está nessa época).

O que a Astronomia não explica é como o meu mapa astral, apesar das várias falhas, serve razoavelmente para mim, mas não para alguém que nasceu no meio do ano.

Update:
1) Nos comentários parece haver uma preferência muito grande sobre a questão astrológica por trás do texto, mas isso não é o mais importante. Seja qual for a sua crença, a mudança na posição dos astros é fato científico. Se isso alterou ou não a Astrologia, cada um deve decidir por si;
2) Essa mudança, ao contrário do que alguns dizem nos comentários, não tem nada de recente. Seu tataravô também morreu com o signo errado segundo a posição das constelações.

26 setembro, 2009

Catálogo #4

No último “Catálogo”, falei sobre um filme para adolescentes (que, aliás, serve muito bem aos que já não o são). Hoje caminharemos na direção oposta: temos um filme adulto que só serve mesmo para adultos.

***

Provocação (The door in the floor, 2004. Direção e Roteiro de Todd Williams, baseado na obra “Viúva por um ano”, de John Irving. Com: Jeff Bridges, Kim Basinger, Jon Foster e Elle Fanning).

Como a dor provocada pela perda dos filhos pode fragmentar tanto a vida de duas pessoas a ponto de desgastar e arruinar o feliz relacionamento que mantinham até então?

Essa degradação e todas as complicações que advêm dela constituem o fio condutor de “Provocação”, um drama maduro e consistente, que aborda de maneira sensível temas bastante complexos.

Ted Cole (Jeff Bridges) é um renomado escritor de sombrias histórias infantis. Ele é casado com Marion (Kim Basinger), uma mulher que vive em estado de apatia constante e visível amargura. Os dois tiveram um casamento feliz, mas não conseguiram superar a morte precoce de seus dois filhos, apesar da mudança de ares e do nascimento de Ruth (Elle Fanning, tão talentosa quanto a irmã Dakota), a filha caçula do casal.

A tragédia parece ter interrompido suas vidas, gerando em ambos um terrível isolamento emocional: Ted se mantém ocupado para fugir de seu próprio sofrimento, enquanto Marion é incapaz de vencer a letargia e assumir seu papel de mãe. A garotinha, por sua vez, vive absorvida pela onipresença dos irmãos mais velhos nas inúmeras fotografias penduradas pela casa e carrega o peso de não poder substituí-los.

Essa vida por um fio, mas até certo ponto estável, é abalada quando o jovem Eddie (Jon Foster) é contratado para ser assistente de Ted durante o verão. Sua chegada – e posterior relacionamento sexual com Marion – traz à tona esses problemas latentes e obriga o casal a lidar com eles.

O diretor Todd Williams revela-se discreto e dá espaço suficiente para o ótimo desempenho do elenco, indispensável para transmitir uma gama de sentimentos e sutilezas que não podem ser expressos por meio de palavras.

Por que você deve ver:
Embora se estabeleça um estranho "triângulo amoroso", não é sobre este fato que o filme põe os holofotes, mas sim sobre aquelas questões indizíveis da existência humana quando permeada de dor e culpa, o que, por si só, já faz dele um grande filme. Além disso, o tom melancólico é intercalado por seqüências muito bem-humoradas, o que confere certa leveza ao longa.

Por que você pode não gostar:
Não é um filme dos mais fáceis no que tange à sua dimensão psicológica. Muito do que é transmitido ao espectador vem por meio das entrelinhas e de planos silenciosos, podendo desagradar às pessoas que preferem enredos mais objetivos e explícitos.

Veja com atenção:
Note que o título original do filme é o mesmo do livro infantil escrito por Ted, (literalmente, “A porta no chão”) e, além de ser muito mais adequado, é também evocativo e simbólico. Desse modo, esqueça o inexplicável título brasileiro (“Provocação”), que não representa bem a história que vemos nem as atitudes dos personagens.

Se ainda não viu, experimente!

18 setembro, 2009

Mosaicos impressionantes

Murais formados em mosaico, a partir de pinturas menores.
Abaixo o Adão de Michelangelo pintado por Lewis Lavoie ao redor do mundo.


E este mural com pinturas de muitos artistas de vários países.


Vale a pena fuçar todo o site e esmiuçar cada quadro formador do mosaico!
Mais exemplares e informações no site oficial do projeto Mosaic Mural:
http://www.muralmosaic.com/murals.html

09 setembro, 2009

Mau Gosto #3

O marido para a esposa:
- Onde é que você passou a tarde inteira???
- Ora, eu estava no dentista...

Pergunta:
Com base nesse logotipo do tal dentista, o marido tem motivos para suspeitar de sua esposa?
Resposta:
Não sei, mas minha mulher não vai frequentar esse dentista!

Humor

Leonardo à solta:
(clique nas imagens se quiser ampliar)















As charges estão aqui:
http://rasuralivre.blogspot.com/

07 setembro, 2009

Patriotismo

Alguém já disse que "o nacionalismo é uma doença que se cura viajando". Concordo.
Sonhe com um Brasil independente neste dia sete...

04 setembro, 2009

Poema do dia



(Poema publicado antes
neste blog)

BIZARRO

Às vezes a natureza pinta formas tão bizarras,
que nunca ficariam bem se fossem pintadas pela mão humana.

Qualquer lagosta ou moréia é exemplo claro disso.

Um cachorro de costas, acho que ninguém saberia como desenhá-lo.

Um gole mal dado numa cerveja quente produz uma cara inimitável.

E assim também o insondável brilho dos olhos no primeiro beijo,
o riso incontrolável, que vence os lábios,
ou o insubordinado ato falho, que escapa da prisão inconsciente...

O latejar das veias de um terrorista e o suor que escorre do seu rosto tenso,
no momento de explodir, são o resultado de processos mentais intangíveis.

O olhar atônito sobre a Hiroxima atômica
só continuará nos olhos radioativos de quem a viu.

Ninguém saberia reproduzir o embaraço
de um cãozinho vigiando o cadáver podre de seu único dono.

Ninguém poderia experimentar o nó na garganta do homem-pássaro
que despencou do céu e se esborrachou no meio da rua sem pedir licença.

31 agosto, 2009

Pincel fotográfico

Não são todos os quadros que deixam evidentes a tinta e o pincel. Olhando a imagem abaixo, você diria se tratar de uma pintura? Não? Pois saiba que a arte que você está vendo não é fotografia, mas sim fruto das incríveis pinceladas da artista Alyssa Monks.

alyssia

Mais fotos... digo, pinturas, no portfolio da moça:

http://alyssamonks.com/port.asp


21 agosto, 2009

Aspas #2

Hoje um conto que eu adoro, de Luís Fernando Veríssimo:




Conto de verão nº 2: Bandeira Branca

Ele: tirolês. Ela: odalisca; Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro anos todos se entendem, de um jeito ou de outro. Em vez de dançarem, pularem e entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das mães e ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira, até serem arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro baile de Carnaval.


Encontraram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, agora apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram recomeçar o montinho, mas dessa vez as mães reagiram e os dois foram obrigados a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns tapas. Passaram o tempo todo de mãos dadas.Só no terceiro Carnaval se falaram.

-Como é teu nome?

- Janice. E o teu?

- Píndaro.

- O quê?!

- Píndaro.

- Que nome!

Ele de legionário romano, ela de índia americana.

Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia no Carnaval, a tia é que era sócia.

- Ah.

Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete, e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou na face, disse -Até o Carnaval que vem- e saiu correndo.

Divisor Horizontal Clássico

No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram. Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal! Beijaram-se muito, quando as mães não estavam olhando. Até na boca. Na hora da despedida, ele pediu:

- Me dá alguma coisa.

- O quê?

- Qualquer coisa.

- O leque. O leque da bailarina.

Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.

No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo, antegozando o momento de encontrá-la outra vez no baile. E ela não apareceu. Marcelão, o mau elemento da sua turma, tinha levado gim para misturar com o guaraná. Ele bebeu demais. Teve que ser carregado para casa. Acordou na sua cama sem lençol, que estava sendo lavado. O que acontecera?

- Você vomitou a alma – disse a mãe.

Era exatamente como se sentia. Como alguém que vomitara a alma e nunca a teria de volta. Nunca. Nem o leque tinha mais o cheiro dela.

Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube – e lá estava ela! Quinze anos. Uma moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.

- Sei lá. Bávara tropical – disse ela, rindo.

Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.

- E aquela bailarina espanhola? – Nem me fala. E o toureiro? – Aposentado.

A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao grupo, alguém disse - Píndaro?! - e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu uma desculpa e afastou-se. Foi procurar o Marcelão. O Marcelão anunciara que levaria várias garrafas presas nas pernas, escondidas sob as calças da fantasia de sultão. O Marcelão tinha o que ele precisava para encher o buraco deixado pela alma. Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida, começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro. Passou todo o baile encostado numa coluna adornada, bebendo o guaraná clandestino do Marcelão, vendo ela passar abraçada com uma sucessão de primos e amigos de primos, principalmente um halterofilista, certamente burro, talvez até criminoso, que reduzira sua fantasia a um par de calças curtas de couro. Pensou em dizer alguma coisa, mas só o que lhe ocorreu dizer foi -pelo menos o meu tirolês era autêntico- e desistiu. Mas, quando a banda começou a tocar Bandeira Branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo -não vale, você cresceu mais do que eu- e encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando a cabeça no seu ombro.

Divisor Horizontal Clássico

Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos no Rio. Ela disse -quase não reconheci você sem fantasias-. Ele custou a reconhecê-la. Ela estava gorda, nunca a reconheceria, muito menos de bailarina espanhola. A última coisa que ele lhe dissera fora - preciso te dizer uma coisa-, e ela dissera - no Carnaval que vem, no Carnaval que vem - e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai tinha sido transferido para outro estado, sabe como é, Banco do Brasil, e como ela não tinha o endereço dele, como não sabia nem o sobrenome dele e, mesmo, não teria onde tomar nota na fantasia de falsa bávara.

- O que você ia me dizer, no outro Carnaval? – perguntou ela.

– Esqueci – mentiu ele.

Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Os filhos dele moram no Rio, com a mãe. Ela, o marido e a filha moram em Curitiba, o marido também é do Banco do Brasil- E a todas essas ele pensando: digo ou não digo que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu.

(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Conto de verão nº 2: bandeira branca. In: Os cem melhores contos brasileiros do século - Organização de Ítalo Moriconi. Objetiva, 2000.)

20 agosto, 2009

Terra

Esse nosso planetinha é cheio de beleza (se bem que nossa natureza humana enxergaria beleza qualquer que fosse a face da Terra).

Nos links abaixo, algumas singularidades de cair o queixo:

47 auroras
15 formações de água e gelo
15 formações de terra
12 formações e fenômenos do fogo e da luz

10 formações de nuvens e cores
10 desertos facinantes
17 fractais encontrados na natureza

Textos em inglês, mas só as imagens já enchem os olhos...

Dica da favorita Luiza Voll

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Updates:

- Nuvens Incríveis

- Cristais de gelo

- Vida nos corais

- Imagens da terra feitas por satélites

10 agosto, 2009

O antro da informção fácil

O post anterior me fez perceber quão duvidosa é a informação que existe na internet. Bem, que o conteúdo da internet não é confiável todos já sabíamos há muito tempo. Mas eu ainda não tinha me dado conta da dimensão do problema.

Sucedeu que eu pesquisei a letra da música “Hier Encore” e, embora não conheça francês, percebi imediatamente que o texto que encontrei não batia inteiramente com a sonoridade das palavras. Assim, “je voulais le bon” aparecia na letra “je pensais le bon”; e “pleurs” estava escrito “peurs”.

Então, obviamente, fui procurar em outras fontes antes de postar, mas qual não foi a minha surpresa ao constatar que 100% dos sites em língua portuguesa continham exatamente a mesma letra e a mesma tradução, incluindo os mesmos erros. Inseri “pleur” (palavra correta) na minha consulta e o Google retornou apenas uma página, em francês, de onde extraí o texto correto que postei.

Ficou claro que alguém certa vez publicou a letra e a tradução e estas foram copiadas ad infinitum pelos demais sites. Eis o problema: nem todos têm o cuidado de conferir a informação antes de passá-la adiante. Não é por outro motivo que circulam pela internet lendas urbanas e textos com a autoria incorreta.

Assim, se o fato ocorreu realmente ou se o texto é mesmo de Luís Fernando Veríssimo ou de Arnaldo Jabor, não importa, contanto que cause essa impressão. E na maior parte das vezes as pessoas crêem mesmo no que lêem, talvez por ingenuidade diante da nova mídia, ou por falta de reflexão.

Tal aberração se deve à facilidade do fluxo de dados numa época em que basta a conjunção das teclas “ctrl+c” e “ctrl+v” para trasladar informações, o que acarreta um mundo baseado muito mais em quantidade do que em qualidade. Assim, a informação contida na internet é muito fácil, mas igualmente fácil é a sua má qualidade.

Está ficando cada vez mais difícil separar o joio do trigo nesse ambiente tão vasto. Trata-se de uma “democracia” muito útil, mas de efeitos colaterais venenosos, uma vez que todos têm a palavra e dizem o que querem protegidos pelo manto do anonimato ou ancorados na pressa, na preguiça e na irresponsabilidade.

Por menos imparciais que sejam as informações das revistas e jornais da mídia impressa, nós pelo menos podemos confiar na sua veracidade até certo ponto, pois o que se costuma manipular é o colorido ou o grau de exposição, e não os fatos em si e sua real existência (falo exclusivamente de acontecimentos, e não do discurso político ou ideológico vertido nesses meios).

Não estamos longe da época em que tudo será previamente suspeito, pois nada estará fora da rede... Nesses tempos a propriedade intelectual será ainda mais abstrata e volátil. Caminhamos para uma era de supremacia da ficção em detrimento do fato, do plágio em detrimento da autoria, do adjetivo em detrimento do substantivo.

Não que a sociedade não possa se adaptar aos novos paradigmas. O perigo é que as mudanças têm sido mais rápidas do que a nossa capacidade de adaptação.

Ainda Ontem

Charles Aznavour é um dos grandes nomes da música mundial. Se considerarmos apenas a França, certamente ele põe no bolso os seus colegas compatriotas, tanto pela interpretação quanto pela composição. Além de possuir uma poderosa voz de tenor, ele compôs cerca de 850 canções, muitas delas com versões em vários idiomas.

Uma das que eu mais aprecio é “Hier Encore”, de 1964, muito bela e triste. A letra registra as tolices de juventude e as esperanças perdidas na passagem veloz do tempo, enquanto a melodia triste acompanha tal amargura com adequação absoluta. Só quem viveu o suficiente como ele pode expressar-se tão bem sobre esse tema.

No vídeo abaixo, ele canta com duas mulheres (suas filhas, segundo o título no YouTube), numa interpretação belíssima dos três. (Será que são mesmo suas filhas? Como um sujeito feio gerou duas gatas como essas? Se for isso mesmo, por certo puxaram à mãe...)


http://www.youtube.com/watch?v=gkc9FWxBl2k

Como tio Márcio é muito bonzinho, entrega logo a letra e tradução no mole para todos os seus dois leitores (a tradução abaixo é ligeiramente diferente da legenda do vídeo, que não é das melhores).

Au revoir, mes chers amis!

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Hier Encore
Ainda Ontem

Hier encore, j'avais vingt ans
Ainda ontem, eu tinha vinte anos
Je carresais le temps et jouais de la vie
Acariciava o tempo e brincava de viver
Comme on joue de l'amour et je vivais la nuit
Como se brinca de amor e eu vivia a noite
Sans compter sur mes jours qui fuyaient dans le temps
Sem considerar meus dias que escorriam pelo tempo

J'ai fait tant de projet qui sont restés en l'air
Fiz tantos projetos que se dissiparam no ar
J'ai fondé tant d'espoirs qui se sont envolés
Alimentei tantas esperanças que se desvaneceram
Que je reste perdu ne sachant ou aller
Que permaneço perdido sem saber aonde ir
Les yeux cherchant le ciel, mais le coeur mis en terre
Os olhos vasculhando o Céu, mas o coração preso à Terra

Hier encore j'avais vingt ans
Ainda ontem eu tinha vinte anos
Je gaspillais le temps en croyant l'arrêter
Desperdiçava o tempo acreditando que o detinha
Et pour le retenir, même le devancer,
E para retê-lo, e até ultrapassá-lo,
Je n'ai fait que courrir et me suis essouflé
Não fiz outra coisa senão correr e acabar cansado

Ignorant le passé, conjuguant au futur
Ignorando o passado, conjeturando sobre o futuro
Je précédais de moi toute conversation
Eu direcionava a mim toda conversa
Et donnais mon avis que je voulais le bon
E opinava sobre o que eu achava ser bom
Pour critiquer le monde avec désinvolture
Por criticar o mundo com desenvoltura

Hier encore j'avais vingt ans
Ainda ontem eu tinha vinte anos
Mais j'ai perdu mon temps a faire des folies
Mas perdi meu tempo a cometer loucuras
Qui ne me laissent au fond rien de vraiment précis
O que não me deixa, no fundo, nada de realmente concreto
Que quelques rides au front et la peur de l'ennui
Exceto algumas rugas na fronte e o medo do tédio

Car mes amours sont mortes avant que d'exister
Porque meus amores morreram antes de existir
Mes amis sont partis et ne reviendront pas
Meus amigos partiram e não mais retornarão
Par ma faute j'ai fait le vide autour de moi
Por minha culpa criei o vazio ao meu redor
Et j'ai gâché ma vie et mes jeunes années
E gastei minha vida e meus anos de juventude

Du meilleur et du pire en jetant le meilleur
Do melhor e do pior, desprezando o melhor,
J'ai figé mes sourires et j'ai glacé mes pleurs
Imobilizei meus sorrisos e congelei meus prantos
Où sont-ils à present, à present, mes vingts ans?
Onde estão agora meus vinte anos?

05 agosto, 2009

Poema do dia

Hoje, na verdade, são dois, de dois grandes poetas. É bom que se leia na ordem apresentada.

O adormecido do vale

(Arthur Rimbaud)

É um canto de verdura onde um riacho canta
Ligando loucamente às ervas farrapos baios
Ou de prata; onde o sol, da montanha que encanta,
Reluz: é um pequeno vale que espuma de raios.

Um soldado jovem, boca aberta, cabeça nua,
E a nuca que o fresco agrião azul envolve,
Dorme; sob uma nuvem, deitado na grama crua,
Pálido no seu leito verde onde a luz chove.

Os pés nas flores, ele dorme. Sorrindo como
Sorriria uma criança doente, está no sono:
Natureza, embala-o bem quente: ele tem frio.

Os perfumes não agitam suas narinas;
Ele dorme ao sol, a mão sobre o peito
Tranquilo. Tem dois buracos vermelhos no lado direito.

O menino da sua mãe
(Fernando Pessoa)

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado-
Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho unico, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
“O menino de sua mãe.”

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe

03 agosto, 2009

30 julho, 2009

Catálogo #3

“João que amava Maria, que amava José, que amava Antônio, que amava Ana, que amava Totó e Rex.” Exceto pela parte final da frase (eu não poderia deixar passar!), é essa a história do ousado Regras da atração (The rules of attraction, 2002, 110 min. Direção e roteiro de Roger Avary. Com: James Van Der Beek, Shannyn Sossamon e Ian Sommerhalder).

Baseado no livro do escritor Brett Easton Ellis (autor de Psicopata Americano, também adaptado para o cinema e altamente recomendado), o filme tem um enredo que, apesar de satirizar costumes com uma acidez corrosiva, se revela também bastante realístico ao retratar com fidelidade e honestidade seus personagens e suas atitudes. Estes não são pintados de maneira estereotipada nem têm seus defeitos amenizados, o que é uma grata surpresa para um filme vendido como “comédia dramática”.

A história se passa num campus universitário, onde estudam Sean, Lauren e Paul. Sean Bateman (James Van Der Beek, bem distante de Dawson’s Creek), ganha uns trocados extras vendendo drogas para os burgueses de sua faculdade, enquanto tenta evadir-se da dívida com seu irascível fornecedor. Ele passa a receber bilhetes de amor anônimos e logo imagina que estes vêm de Lauren Hynde (Shannyn Sossamon), por quem se apaixona rapidamente. Lauren se sente atraída por Sean, sim, mas fantasia perder a virgindade com seu suposto namorado quando este chegar de sua viagem à Europa. Quem acaba apaixonado por Sean mesmo é Paul Denton (Ian Somerhalder), um homossexual que não vem tendo muita sorte em suas conquistas.

“Um filme de arte para adolescentes”, é assim que o diretor Roger Avary (co-roteirista de Pulp Fiction, ao lado de Quentin Tarantino) define seu longa. A frase é muito feliz, pois tanto se trata de um filme de alta qualidade artística, quanto pode ser visto sem muitas reclamações pelos adolescentes (embora eu acredite que seja mais bem aproveitado por adultos).

Para ver o trailer, clique aqui (requer Real Player)

Por que você deve ver:
O filme conta com um roteiro mordaz e inteligente, com ótimas atuações e com a direção inventiva e vivaz de Roger Avary, que cria um longa visualmente rico e muito distante do convencional.
Por que você pode não gostar:
O filme trata de sexualidade e de desencontros nos relacionamentos. Por isso, é menos uma história de sucessos e mais um libelo sobre tentativas e fracassos. Além do mais, cenas de sexo podem repelir os mais pudicos, embora isso seja pouco relevante. Finalmente, embora a montagem seja um dos pontos altos do filme, ela pode deixar confusos os menos atentos.
Veja com atenção: a estrutura criativa das cenas e, em particular, uma sofisticada movimentação de câmera que acompanha Sean e Louren em telas divididas, para fundir as imagens em seguida.

Se ainda não viu, experimente!

29 julho, 2009

Música do dia

A poderosa música de B. B. King, o "Blues Boy King":

http://www.youtube.com/watch?v=Qtm66Z3lebc

The thrill is gone
A emoção se foi


The thrill is gone
A emoção se foi
The thrill is gone away
A emoção foi embora
The thrill is gone baby
A emoção se foi, baby
The thrill is gone away
A emoção foi embora
You know you done me wrong baby
Você sabe que me faz mal, baby
And youll be sorry someday
E você sentirá muito algum dia

The thrill is gone
A emoção se foi
Its gone away from me
Foi embora de mim
The thrill is gone baby
A emoção se foi, baby
The thrill is gone away from me
A emoção foi embora de mim
Although, Ill still live on
Eu ainda viverei
But so lonely Ill be
Mas tão solitário serei

The thrill is gone
A emoção se foi
Its gone away for good
Foi embora para o bem
The thrill is gone baby
A emoção se foi, baby
Its gone away for good
Foi embora para o bem
Someday I know Ill be open armed baby
Algum dia eu sei que eu estarei de braços abertos
Just like I know a good man should
Assim como um bom homem deveria estar

You know Im free, free now baby
Você sabe que eu estou livre, livre agora, baby
Im free from your spell
Eu estou livre de seu feitiço
Oh Im free, free, free now
Oh, eu estou livre, livre, livre agora
Im free from your spell
Eu estou livre de seu feitiço
And now that its all over
E agora está tudo acabado
All I can do is wish you well
Tudo que eu posso fazer é desejar o seu bem

15 julho, 2009

Mau Gosto #2

Quando postei sobre "mau gosto", eu suspeitei que isso poderia virar outra categoria do blog, já que exemplares do gênero não faltam (assim como as mentes grandiosas que os criam).

Veja que excelente designer concebeu essa pérola para um restaurante japonês:












Eu já não gosto de comida japonesa, com um logotipo desses então, não passo nem na porta!
(O problema nem é com o "sol" vermelho, mas com a "casa" amarela, se é que vocês me entendem...)