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11 junho, 2010

Oito regras de Vonnegut

O único livro que li de Kurt Vonnegut foi o maravilhoso "Matadouro 5", uma história de guerra que mistura, com uma agilidade impressionante, drama, humor e ficção científica.

Então, só com base nesse livro, se ele estabelece "oito regras para escrever uma história curta" eu tenho a tendência de recebê-las como verdades absolutas. A lista está em “Bagombo Snuff Box: Uncollected Short Fiction”, e a tradução abaixo é de João Paulo Oliveira, do site Mais 1 livro.

"1. Use o tempo de um completo estranho de tal maneira que ele ou ela não sinta que o tempo foi desperdiçado.

2. Dê ao leitor ao menos um personagem pelo qual ele pode simpatizar.

3. Todo personagem deve desejar algo, mesmo que seja apenas um copo de água.

4. Toda sentença deve fazer uma ou duas coisas: revelar o personagem ou avançar na história.

5. Sempre que possível, comece sua história pelo ponto mais próximo do seu final.

6. Seja sádico. Não importa quão simpáticos e inocentes sejam seus personagens principais, faça coisas terríveis acontecer com eles para que o leitor perceba do que eles são feitos.

7. Escreva para agradar apenas uma pessoa. Se você abrir uma janela e fizer amor com o mundo, assim dizendo, sua história vai pegar uma pneumonia.

8. Dê aos seus leitores o máximo de informação o mais cedo possível. Que se dane o suspense. Leitores devem ter um entendimento tão completo do que está acontecendo, onde e porque, para poder finalizar a história por eles próprios se as baratas comerem as últimas páginas."

Na voz do próprio Vonnegut:
http://www.youtube.com/watch?v=4bn6zc0Hywk

(Via Jorge Furtado)

16 junho, 2009

O Velho e o Mar

Eu acho "O Velho e o Mar", o mais famoso livro do nobel americano Ernest Hemingway, uma obra fascinante. Com um estilo simples e despojado, ele concebe uma história complexa e cheia de profundidade em poucas páginas.

O velho pescador Santiago está numa maré de azar, tendo passado mais de 80 dias sem pescar um único peixe. Até seu ajudante e amigo, o jovem Manolín, foi obrigado pelos pais a abandoná-lo, para trabalhar com outros pescadores mais venturosos. Num belo dia, Santiago tem a chance de sua vida: fisga um espadarte de tamanho assombroso e luta com o peixe por vários dias. Nesse período a mente do velho é povoada de lembranças e reflexões.

Recomendo enfaticamente a leitura.


Caso você já tenha lido, eu tenho outra dica imperdível: este filme do pintor Alexander Petrov é um achado tanto cinematográfico como pictórico, uma vez que é recheado de belas imagens.



Ele conseguiu captar com desenvoltura as emoções e imagens literárias retratadas por Hemingway no seu livro. A obra, que tem apenas 20 minutos de duração, consumiu dois anos de trabalhos árduos, sendo produzida manualmente, quadro a quadro (as cenas são constituídas por 29 mil pinturas feitas à mão!). Venceu o Oscar de melhor curta de animação em 2000, aliás, um prêmio merecidíssimo.



Baixe o curta-metragem aqui (formato
RMVB com legendas embutidas):
http://rapidshare.com/files/143997252/TOATS99_FORUM_FARRA_up_by_Eudes.rmvb

Para assistir, use o Real Player ou instale este codec:
http://superdownloads.uol.com.br/download/17/k-lite-codec-pack


Se preferir, a animação pode ser vista no YouTube, mas eu não recomendo, em razão da baixa qualidade do vídeo, o que sempre prejudica a experiência.
Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=v1EbNvHDxbA
Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=l2_KszEnlq0

29 maio, 2009

Os livros que não li


Estamos numa corrida contra o tempo. No fim da vida, uma pessoa não terá lido boa parte das melhores obras literárias que a humanidade já produziu. É uma tarefa humanamente impossível. E não estou nem considerando os livros que relemos e as obras científicas ou filosóficas, que também são obrigatórias.

É com tristeza que avalio minha parca leitura: dois ou três livros literários por ano – às vezes menos – é uma estatística vergonhosa. (Foi-se o tempo em que eu lia um após outro, ou até dois ao mesmo tempo) Mas pelo menos procurei ler os livros certos, o que não deixa de ser também um problema, tanto pela dificuldade de seleção quanto pela efetiva leitura.

Parece um sacrilégio me entregar ao deleite de ler Dan Brown* enquanto meu exemplar de Dom Quixote cria mofo na estante – a história do engenhoso fidalgo de La Mancha foi o título que eu por mais vezes tentei ler. Da mesma forma, parece imoral folhear Paulo Coelho sem nunca ter aberto Guerra e Paz ou espiado ao menos o Inferno d'A Divina Comédia.

Não se trata de preconceito, mas de prioridade. Dado que o tempo é escasso diante da infinidade de livros, não resta alternativa senão ignorar as obras menos importantes para ler as que realmente importam.

Mas aí você vislumbra a espessura de Os Sertões, ou tropeça numa má tradução de Dostoiévski, e acaba adiando a leitura indefinidamente, por um tempo que daria para ter lido toda a obra de Paulo Coelho.

Desse modo, não sei qual é a situação pior: não saber quais são os livros que se devem ler, ou ter a assustadora idéia do que se está perdendo.

PS1: Eu li O Código Da Vinci, de Dan Brown, que tem uma ótima leitura, mas péssima literatura.
PS2: Já sei que nunca lerei A Divina Comédia, Os Sertões, Os Lusíadas ou Guerra e Paz, pois tenho outras prioridades. Mas ainda tenho esperanças no Quixote.