30 abril, 2009

Seja forte!

Não quero fazer deste blog uma sucursal do YouTube. Mas me parece obrigatório postar quando o vídeo é tocante como este abaixo.

Fossem as palavras ditas por outra boca, soariam triviais e até ingênuas. Mas não é, seguramente, o caso aqui.

Nada melhor para despertar do que um estrondoso tapa na cara dado por alguém que não tem mãos.




http://www.youtube.com/watch?v=xQbz3OZa-98

29 abril, 2009

Poema do dia


(Foto: Laura Sina)

Despertar

Certo dia, um homem foi tomado, de súbito, por uma consciência assustadora.
Nunca desvendara os segredos do universo,
Nunca soubera tanto sobre si mesmo,
Nunca compreendera tão bem as demais pessoas como naquele instante.

Sentiu um avassalador desejo de revelar ao mundo suas novas impressões,
Mas explodiu antes que conseguisse:
A nova capacidade não lhe cabia no corpo,
E sua alma não era continente como a de uma criança.


14 abril, 2009

A velha disputa entre a aparência e a essência

No brilhante Luzes da Cidade, uma das muitas obras-primas de Chaplin, uma cega vendedora de flores toma o vagabundo como um homem rico e ele, apaixonado por ela, sustenta a farsa enquanto pode. O que o vagabundo não percebe é que ele não precisaria lançar mão desse expediente, uma vez que a garota gosta dele como de fato é, sendo rico ou não.

Estou falando tudo isso porque, muitas vezes, deveríamos perceber as pessoas sem o filtro preconceituoso que a visão nos oferece, algo muito bem abordado no Ensaio Sobre A Cegueira, de José Saramago.

Assim, minha reação ao assistir a este vídeo foi semelhante a de todos os presentes: descrédito. Trata-se do programa britânico Britain’s Got Talent, em que a Senhora Susan Boyle, de 47 anos, revela toda sua grandeza vocal após uma recepção cheia de deboche. Vale a pena conferir.

A velha disputa entre a aparência e a essência é uma guerra de duas etapas: primeiro, aquilo que parece é sempre vitorioso. Para que a essência vença, precisa de muito esforço para desfazer a primeira impressão. É bem verdade que a produção planejou tudo para que este contraste ficasse mais visível e impactante, mas isso não muda o fato de Susan "ser" muito mais do que "parece".


Clique na imagem para assistir

Quem quer ir ao show?


Quando eu conseguir parar de rir, aí eu comento essa maravilha.
Não quero publicar coisas desse tipo, mas essa foi irresistível...

12 abril, 2009

Desaniversário

Já nem lembro a última vez em que aguardei ansioso o dia de meu aniversário. Pra dizer a verdade, nunca fui muito entusiasmado com aniversário. Quando era criança, havia motivação nas guloseimas, brincadeiras e presentes. Mas, uma vez deixada a infância para trás, só restou a incompreensão de uma data esquisita e sem sentido, em que se comemora a velhice (???). Bem, não há muito o que comemorar.

A respeito de aniversários, Groucho Marx (o rei das tiradas engraçadas) dizia: "Idade não é um assunto interessante. Qualquer um pode ficar velho. Tudo que você precisa fazer é viver o bastante"; "envelhecer é o que você faz se tiver sorte"; "O que eu quero de aniversário? O ano passado de volta."

Pra mim é um dia como qualquer outro, como fora o dia anterior e será o dia seguinte. Nenhuma mágica pôde ter acontecido na transição do dia 11 para o dia 12 que possa ter tornado esse último mais especial do que os demais. É um dia tão ordinário que em muitos anos eu me esqueço da data (isso já ocorreu pelo menos meia dúzia de vezes). Um dia, já tarde da noite, recebi um telefonema de parabéns. Achei superestranho, “parabéns pelo quê?”. Em outra ocasião, só fiz a grande descoberta numa consulta eventual ao calendário e, ainda assim, levei alguns segundos para fazer as contas: dia 12 + mês de abril = aniversário. O pior é que ninguém acredita quando eu conto essas façanhas, pois todos imaginam que tal esquecimento é impossível. Impossível para vós, caras-pálidas, que levam esta data tão a sério.

Pra finalizar, um texto que peguei no blog da Rosana Hermann:

Sinais Indicativos de que você não é mais um adolescente:

01. Você tem plantas em casa, mas não dá pra fumar nenhuma.
02. No café da manhã, você só come coisas típicas de café da manhã.
03. Na sua geladeira há mais comida do que cerveja.
04. Seis da manhã é a hora que você acorda e não a hora que você vai pra cama.
05. Você vê a previsão do tempo.
06. Seus amigos não desmancham namoro, divorciam-se.
07. Suas férias, que eram de 130 dias, agora só têm 14. E olhe lá.
08. Você já ligou pra polícia reclamando da garotada fazendo barulho no vizinho.
09. Seus parentes contam piadas sobre sexo perto de você.
10. Você alimenta seu cachorro com ração e não mais com os restos do seu Mc Lanche Feliz.
11. Dormir no sofá dá dor nas costas.
12. Na farmácia você já não compra camisinha e teste de gravidez, mas remédio pro estômago.
13. Boa parte do tempo que você passa na frente do computador é, de fato, para alguma coisa útil. (como ler este blog?)

19 março, 2009

Procrastinação


(Tirinha do alucinado Rafael Sica)


A imagem é muito conhecida: você está estudando ou produzindo algum trabalho intelectual e, de repente, uma mosca se torna a coisa mais interessante do mundo. Em vez da mosca, poderia ser outra coisa qualquer, pois essa dispersão não ocorre em razão da relevância daquilo que chamou a sua atenção, mas pelo desejo irresistível de procrastinar.

Quem nunca adiou alguma coisa importante e urgente? Excluídos aqueles disciplinados de plantão (o que seria do mundo sem eles?), todos já dançaram a dança da procrastinação ao menos uma vez na vida, sem prejuízo de sua reputação de responsável.

No entanto, afora os certinhos inveterados e os procrastinadores eventuais, há um seleto grupo de pessoas (e eu quero crer que seu número seja maior do que imagino) que não perdem uma oportunidade para realizar um solene adiamento. Nessas pessoas, o desejo de postergar já nasce junto com o dever de cumprir uma obrigação difícil (que graça há em protelar coisas fáceis?).

A delonga é uma obra de arte, convenhamos. Deixar de fazer algo difícil, embora necessário, faz nascer uma culpa imensa que só alguém com jogo de cintura suporta carregar. A fim de driblar essa culpa, qualquer ferramenta disponível é útil. Fazer uma coisa menos importante, por exemplo, garante algum alívio imediato.

Eu que o diga! Quase não vejo televisão, mas basta surgir algo importante com prazo curto e lá vou eu ser o mais devoto telespectador (isso inclui a intragável programação de domingo, fruto de um consenso universal a favor do mau gosto). Outras coisas também ajudam na procrastinação, como uma pia transbordando de pratos para lavar, um guarda-roupa fora de ordem (um pouquinho que seja) ou, em último caso, algo que você já adiou antes, mas que é menos trabalhoso, menos urgente e menos importante.

Ocorre que a coisa deixada de lado o acompanha o dia inteiro, para onde quer que você vá. Era só uma coisa importante que você deveria fazer, mas agora passa ao status de um conviva inconveniente e desagradável, que só vai embora quando é posto para fora. Esse mal, infelizmente, só se cura com a efetiva realização do trabalho preterido. Ah!, se houvesse um remédio mais barato...

PS: Este texto foi escrito num momento em que outra coisa mais importante deveria ter sido feita



18 março, 2009

"Quanto mais conheço as pessoas...

... mais eu gosto de meus cachorros".

Costumo dizer que sou misantropo por falta de opção. Isso é um pouco ranzinza de minha parte e não é completamente verdade, mas o fato é que minha impressão da humanidade é a pior possível.

Veja esses dois vídeos e me diga se minha misantropia é assim tão fora de propósito:

# 1 - ANIMAL IRRACIONAL



# 2 - ANIMAL RACIONAL

16 março, 2009

Começo

Sobre o que é este blog? Não sei. Nem tenho pretensão de saber. Se por um lado a versatilidade pode desagradar o leitor à procura de assuntos específicos, por outro lado definir o conteúdo do blog podaria demais minhas possibilidades.

Certamente colocarei aqui o que eu julgar interessante a ponto de compartilhar com os demais. Mas aproveitarei também pra anotar, ainda que sejam desinteressantes, as minhas próprias apreciações acerca de quaisquer assuntos.

Escreverei para mim, antes de tudo. Mesmo assim, espero que o leitor fique bem à vontade. Vejamos se escrever com tinta digital me agrada...

"Prefiro falar sobre nada, pois é o único assunto sobre o qual sei alguma coisa"
(Oscar Wilde, em O Marido Ideal)